"ASMA"

A asma é uma síndrome caracterizada pela obstrução do fluxo aéreo que varia acentuadamente, espontaneamente e com o tratamento. Existe um tipo especial de inflamação nas vias aéreas que as tornam hiperreativas a uma grande variedade de desencadeantes, de forma que as vias aéreas se estreitam excessivamente. O estreitamento da via aérea geralmente é reversível, mas em alguns pacientes com asma crônica pode haver um elemento de irreversibilidade da obstrução do fluxo aéreo.

 

TENDÊNCIAS EPIDEMIOLÓGICAS
1. A asma afeta aproximadamente 10-15% das crianças e 5-10% dos adultos
2. A prevalência da asma é maior em países industrializados, mas as diferenças em relação aos países em desenvolvimento estão diminuindo
3. A prevalência da asma está aumentando em todo o mundo
4. O número de hospitalizações devido à asma está aumentando especialmente de crianças.
5. A mortalidade por asma está aumentando, principalmente em idosos
6. O receituário medicamentoso para asma está aumentando (especialmente B2-agonistas inalados)
7. As razões para o aumento da morbidade e mortalidade da asma no mundo inteiro são desconhecidas

 

TIPOS DE ASMA:
a)Asma alérgica (extrínseca): em pacientes atópicos
Início geralmente na infância, podendo persistir na fase adulta, embora uma remissão na adolescência é comum. Associado com rinite alérgica e dermatite atópica (eczema)
b)Asma não alérgica (intrínseca): pacientes não atópicos
Início em adultos (asma de início tardio). Frequentemente associada com rinite perene não alérgica. Responsável por aproximadamente 10% dos casos de asma em adultos. Existe um tipo especial de asma intrínseca na qual o paciente é particularmente sensível a aspirina e a outras drogas antinflamatórias não esteróides.
c)Asma ocupacional
Devida a esposição a sensibilizantes químicos (por ex: diisocionato de tolueno) no local de trabalho. Não tem relação com o estado atópico. Alguns tipos de asma ocupacional ocorrem em atópicos devido a exposição ao alérgeno no local de trabalho.

CAUSAS DA ASMA
As causas subjacentes da asma não são conhecidas. A atopia (propensão à formação de IgE) é herdada, mas mecanismos ambientais parecem ser importantes para determinar se um indivíduo atópico se tornará asmático. Vários fatores podem aumentar os riscos para o desenvolvimento da asma:
1.Mãe fumante (durante a gravidez e infância)
2.A exposição a altas concentrações de alergenos (por ex: ácaros do pó domiciliar)
3.Infecção viral durante a infância (principalmente virus sincicial respiratório)
4.Poluição ambiental (ozona, SO2, NO2): não há evidências convincentes

SINTOMAS
Os sintomas da asma podem variar de intensidade e alguns sintomas podem ser mais proeminentes em alguns pacientes.
1.Sibilo: intermitente, piora na expiração, aliviado de modo característico por B2-agonistas inalados.
2.Tosse: geralmente não produtiva. Pode ser o único sintoma presente(especialmente em crianças)
3.Aperto no peito
4.Falta de ar(nem sempre associada com sibilo)
5.Produção de catarro (geralmente escasso)
6.Sintomas prodrômicos podem preceder uma crise: coceira sob o queixo, desconforto entre as espáduas, medo inexplicável.

DESENCADEADORES
1. Alergenos (ácaro do pó domiciliar, pólen, secreção animal, fungos, barata)
2. Irritantes (fumaça de cigarro, poluentes ambientais, odores fortes, fumaça)
3. Fatores físicos (exercício, ar frio, hiperventilação, riso, choro)
4. Infecções virais do trato respiratório superior
5. Emoções (stress)
6. Agentes ocupacionais (sensibilizantes químicos, alergenos)
7. Drogas (beta-bloqueadores, drogas antinflamatórias não esteróides)
8. Aditivos alimentares (metabisulfito, tartrazine)
9. Alterações climáticas
10.Fatores endócrinos ( ciclo menstrual, gravidez, doenças da tireóide)


BEBÊ CHIADOR
Doença sibilante do trato respiratório inferior extremamente comum nos primeiros 12-18 meses de vida e pode atingir quase todas as crianças de uma comunidade fechada. O lactente se apresenta com taquipnéia, dificuldade respiratória, expiração prolongada com sibilo na fase tardia da expiração e a radiografia de tórax mostra hiperinsuflação. Este quadro pode ser devido a uma infecção aguda com o vírus sincicial respiratório e neste caso é usualmente uma doença de duração curta e auto-limitada. Entretanto, uma boa proporção destes lactentes continua a ter crises de sibilos por um número de meses sem apresentar novas infecções e não necessariamente serão asmáticos típicos no futuro. Por outro lado, aproximadamente 20% de futuras crianças asmáticas tem sua primeira crise de sibilo no primeiro ano de vida. Para um diagnóstico de certeza, é aconselhável um segmento prolongado.